Motivação

Apresento a minha candidatura a Reitor movido por um sentido de dever para com a Universidade de Aveiro (UA). Quero retribuir o muito que a instituição me deu a nível pessoal, académico e profissional. Sinto que os meus mais de 38 anos de experiência científico-pedagógica, mas também de direção e gestão académica, podem ser úteis à UA. Acredito, com convicção, que a UA pode dar um novo salto coletivo nos próximos anos: no ensino e aprendizagem, na investigação, na inovação e na forma como interagimos com as pessoas e o território que servimos, mas também na forma como impactamos no Mundo. Faço-o com sentido de responsabilidade, mas também com entusiasmo, comprometendo-me a liderar a Universidade com a energia necessária para enfrentar os desafios de uma década que já começou a transformar profundamente o ensino superior. 

A UA nasceu com uma cultura de fazer diferente — aberta, colaborativa, exigente e muito ligada à Região e ao mundo. Esta cultura continua a representar uma vantagem competitiva, mas vivemos um tempo em que as mudanças são vertiginosas. A inteligência artificial está a alterar a forma como se aprende e se trabalha, está a transformar radicalmente o nosso quotidiano, impactando diretamente em questões éticas, na economia e na segurança, gerando simultaneamente oportunidades e riscos. 

A competição por talento científico e académico intensifica-se, mas questões como o custo de vida, o alojamento e a saúde mental estão a condicionar escolhas académicas e trajetórias de estudo. A Europa pede impacto, internacionalização e colaboração — mas com integridade, qualidade e prestação de contas. Para enfrentarem e ultrapassarem os desafios elencados, as universidades precisam de uma visão e de delinear uma estratégia, mas, precisam sobretudo de uma grande capacidade de implementação: alinhar e mobilizar a comunidade, definir prioridades, medir resultados e avaliar impacto e melhorar de forma contínua. 

Candidato-me porque acredito que a UA tem tudo para ser uma dessas universidades de referência: pela capacidade das pessoas e cultura de proximidade, pela qualidade científica, pela história de inovação, pela ligação à região e pela crescente projeção internacional. Candidato-me também porque considero que reúno condições únicas para servir este projeto com experiência, legitimidade e capacidade de mobilização. 

O meu percurso foi construído com e na UA. A minha ligação à UA não é circunstancial: é uma história de vida académica e institucional. Iniciei o meu percurso na UA ainda nos anos 80, como monitor e bolseiro de iniciação à investigação no Departamento de Química, e concluí a licenciatura em Ensino de Física e Química em 1987. Em 1993, doutorei-me em Química Orgânica, com Distinção e Louvor, na UA. Desde 2001 sou Professor Catedrático do Departamento de Química. 

Ao longo de décadas, vivi a UA em todas as suas dimensões: na sala de aula, no laboratório, na coordenação de projetos, na formação avançada e na governação. Assumi responsabilidades de gestão e liderança que me deram experiência concreta para liderar uma instituição complexa. Participei também em órgãos centrais e estruturantes da UA, e conheço, por dentro, as exigências e tensões da governação universitária: o equilíbrio entre autonomia das unidades e alinhamento institucional; entre liberdade académica e responsabilidade pública; entre ambição e limites orçamentais. 

No plano científico e de representação institucional, presidi e integrei direções de várias instituições nacionais e internacionais. Ao longo do meu percurso, coordenei e participei em múltiplos projetos financiados nacionais e internacionais, contribuindo para reforçar redes de colaboração e capacidades institucionais. Recebi reconhecimentos através da atribuição de prémios e distinções nacionais e internacionais. 

Mais do que uma lista de cargos, este percurso tem um significado: conheço a UA, conheço o sistema científico e o ensino superior, e tenho uma experiência prolongada de liderança, negociação e construção de comunidades — competências essenciais para um Reitor que, para além de definir estratégias, precisa de mobilizar e garantir a sua execução. 

O próximo ciclo governativo pede-nos: uma UA mobilizada e que realiza. A UA precisa, agora, de um projeto mobilizador. Um projeto que não seja um conjunto de intenções, mas uma agenda com prioridades claras, metas e execução. Quero uma UA que simultaneamente: I. cuide da sua comunidade e do seu território, com ação social eficaz, bem-estar, inclusão e uma ligação consequente à Região e ao Mundo; iI. renove o compromisso social de promover aprendizagens significativas, e de as avaliar com rigor, num mundo em que a circulação de informação e capacidade da tecnologia são extraordinárias; e iiI. reforce a competitividade científica e o impacto, com infraestruturas, talento e parcerias, sem perder integridade e autonomia. Para isso, proponho uma liderança assente em compromissos estratégicos — simples de explicar, difíceis de executar, mas exequíveis com trabalho coletivo e método, que serão apresentados mais adiante (ver Capítulo 3). 

Trabalharei para que continuem a ser aproveitadas todas as possibilidades de investimento proporcionadas pelos fundos nacionais e europeus, todas as oportunidades de desenvolvimento decorrentes da transição climática e digital, da coesão social e da competitividade e todos os benefícios dos avanços tecnocientíficos, da inovação empresarial, da mobilidade e do pensamento e arte contemporâneos. Quero continuar a dignificar, com o meu trabalho e ação, a instituição prestigiada que é a UA, promover o seu efetivo desenvolvimento e comprometer a sua atividade com os destinos do nosso país e da Europa. Numa perspetiva de continuidade e de melhoria contínua, proponho-me seguir uma governação descentralizada, inclusiva e sinérgica, criando caminhos para a mudança. Vejo as unidades orgânicas e as unidades de investigação como parceiras de governação e sei que o trabalho conjunto potencia a capacidade institucional da UA. A mobilização de todos é essencial para garantir massa crítica e ganhos de escala que nos permitam suplantar os desafios de um mundo em acelerada transformação, cada vez mais complexo, competitivo e desafiante. 

Candidato-me porque acredito que a UA pode ser, nos próximos anos, um modelo nacional e europeu em três dimensões: transformação pedagógica responsável, excelência científica com impacto, e governação eficiente e humana. Não proponho um projeto de Reitoria “de gabinete”. Proponho um projeto de comunidade: com professores e investigadores, com pessoal técnico, administrativo e de gestão e serviços, com estudantes, com alumni, com empresas e instituições públicas, com a cidade e a região. É minha intenção, com esta candidatura, continuar a trabalhar para que a UA seja um ecossistema de aprendizagem, investigação e inovação mais coeso, sinérgico e interdisciplinar. Coordenarei uma equipa reitoral que investirá num relacionamento próximo e dialogante com todos os atores da comunidade académica, promovendo a participação ativa de todas as partes nos destinos da instituição e tornando o processo decisório mais transparente, colaborativo e subsidiário. 

A UA tem uma identidade própria: é exigente, é inovadora, é colaborativa. Quero reforçar essa identidade e colocá-la ao serviço de uma agenda concreta. Quero uma universidade que motiva os seus estudantes, que cria condições para talento florescer, que produz conhecimento relevante, e que presta contas com transparência. 

Apresento esta candidatura com disponibilidade total para servir a UA e com uma convicção simples: a UA não precisa de promessas vagas — precisa de uma liderança que aponte um rumo, que mobilize a comunidade e que entregue resultados.

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